Há dias difíceis, dias em que nos apetece expressar toda a nossa raiva e todos os problemas que temos vindo a acumular há já algum tempo. Dias em que nos sentimos desanimados por algo não estar a correr bem nas nossas vidas ou então por não conseguimos realizar os nossos objectivos. Eu pessoalmente já me senti assim. É muito difícil quando traçamos objectivos para o futuro e que, quando chegamos quase ao fim, quase a realizá-los vemos que afinal não pode ser assim, que tem de ser diferente, e aceitar isso faz-nos sentir desanimados. Com certeza sabem do que estou a falar. Porém, temos de aceitar que nem tudo pode ser como planeámos e tentar dar a volta por cima.
Irei dar um exemplo de um caso: um casal que ia ter o seu primeiro filho (chamaremos X) traçou objectivos para o seu futuro: decidiu que ele se iria ter uma boa educação, seria um bom aluno, bom filho e bom amigo e no futuro poderia vir a ser médico ou advogado ou vir a desempenhar outra profissão de destaque. No início os pais observaram que o filho era bastante problemático: na escola batia nas outras crianças, portava-se mal em casa e fora de casa e dificilmente era convencido a estudar. Os pais, não querendo encarar a realidade pensaram que seria apenas uma fase e que quando fosse mais velho iria ganhar alguma motivação e disciplina. Porém, os pais estavam enganados. Com o tempo, X foi-se tornando um “rufia” e não queria saber de nada relacionado com o seu futuro (assunto que para os pais era da máxima importância!). Sem saber o que fazer os pais foram procurar ajuda de um psicólogo que, após algumas sessões, conseguiu mostrar-lhe que um emprego era importante para o seu futuro e para a sua independência. Hoje ele está a tirar um curso profissional e quer mais tarde ser electricista. Como podem ver, este caso não nos afecta directamente, mas sim aos outros que sonharam e traçaram um determinado futuro para nós. Este caso é um bom exemplo de que por vezes não conseguimos orgulhar os planos que fazem PARA nós. O que terá sido responsável por X ser tão diferente do que foi planeado para ele? Terá sido o excesso de controlo e educação dos pais que o fizeram ansiar por liberdade e desenvolver um carácter expulsivo?
Vejamos um outro exemplo: O individuo X sentia-se bastante confiante no inicio da faculdade, tinha planeado que iria passar a todas as cadeiras do primeiro semestre e assim não as teria de repetir para o próximo semestre. Chegando o fim do semestre e o inicio dos exames, X concluiu que talvez não conseguiria concluir todas as cadeiras de uma vez. Essa realidade fê-lo desanimar. Porém X conseguiu dar a volta ao problema e aceitar que por vezes os nossos planos não são como nós os projectamos. Esta é a realidade.